5 pensamiento sobre “Pastores según el corazón de Dios

  1. Ofir

    Palabras muy acertadas del Papa Francisco, a los sacerdotes les tenemos que acompañar mucho en nuestras oraciones, para que sean esos Pastores que necesitamos según el corazón de Dios.

  2. Marta

    Doy gracias a Dios por el Papa Francisco todas su palabras esta ungidas .
    Tenemos que arropar y orar como familia por nuestro sacerdotes, para que sean Pastores según el corazón de Dios. ¡¡Que bueno sería que cada uno tuviesemos presente a un sacerdote para orar por él.

  3. pe. geovane saraiva

    Pastores segundo o coração de Deus

    Padre Geovane Saraiva*
    Neste artigo falamos de dois grandes pastores, figuras humanas que edificaram casa de Deus, isto é, a Igreja, tendo como alicerce sólido o bem e a justiça, não cedendo às ciladas dos injustos e poderosos; Dom Helder Pessoa Câmara e Dom Aloísio Cardeal Lorscheider, que as nossas gerações hodiernas, pelo que eles representam, precisam conhecer ainda mais. Neles a profecia de Jeremias se realizou: “Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com sabedoria e inteligência” (Jr 3, 15). Anunciaram a boa nova da Salvação em toda sua plenitude, a partir da dor e do sofrimento de uma multidão de irmãos e irmãs. O entusiasmo e a mística desses grandes sacerdotes causaram e continuam a causar profundas marcas de generosidade, sempre crescente, nas pessoas que exerceram e exercem suas funções nos mais diversificados setores de nossa sociedade.
    Guardemos no íntimo do coração a mensagem de otimismo e esperança, deixada por Dom Helder Câmara, o artesão da paz e cidadão do mundo, o bispo brasileiro mais influente no Concílio Vaticano II, ao abrir o caminho para a renovação, na sua mais profunda e autêntica coerência em favor dos pobres: “Se não engano, nós, os homens da Igreja, deveríamos realizar dentro da Igreja as mudanças que exigimos da sociedade”.
    Falou também com extraordinária paixão que Deus é amor, em tom daquilo que lhe era muito peculiar, a poesia: “Fomos nós, as tuas criaturas que inventamos teu nome!? O nome não é, não deve ser um rótulo colado sobre as pessoas e sobre as coisas… O nome vem de dentro das coisas e pessoas, e não deve ser falso… Tem que exprimir o mais íntimo do íntimo, a própria razão de ser e existir da coisa ou da pessoa nomeada… Teu nome é e só podia ser amor”.1
    Ao assumir a Arquidiocese de Olinda e Recife, em abril de 1964, afirmou: “Ninguém se escandalize quando me vir ao lado de criaturas humanas tidas como indignas e pecadoras (…). “Quem estiver sofrendo, no corpo ou na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar especial no coração do bispo”.2
    Dom Helder além de deixar uma gigantesca obra escrita, com grande sabedoria soube unir, numa síntese raríssima e feliz o místico e o homem da ação, que contemplava e escrevia ao mesmo tempo durante as madrugadas e agia pela manhã, tarde e noite. Foi um articulador da melhor qualidade; dotado de uma fé clamorosa, de uma enorme capacidade de comunicação, força e convicção inabaláveis, que saía de dentro do peito magro, daquele homem baixo e franzino na estatura, que parecia o retirante de Portinari.
    Profeta dos pobres, artesão da paz, cidadão do mundo, o homem dos grandes sonhos e das grandes utopias ele o foi, a sinalizar uma verdadeira conversão, nas mudanças dos costumes, no sentido de uma melhor compreensão da Igreja, na busca de sua renovação, do seu rejuvenescimento – ao verdadeiro “aggiornamento”, ao mesmo tempo, em que devia anunciar a pessoa de Jesus Cristo, diante do clamor dos empobrecidos, dos “sem voz e sem vez”.
    O grande ardor e entusiasmo desse homem, em todo seu trabalho bem articulado, no amor pela Igreja pobre e servidora, nunca podemos negar e esquecer. “Sou daqueles que tem a convicção de que os escritos de Dom Helder ainda serão fonte de inspiração na América Latina, daqui a mil anos”.3
    Já Dom Aloísio, que no seu amor à verdade e no apego ao Evangelho, como critério de vida e de pastoreio, também na sua capacidade de dialogar com as classes sociais e no seu amor para com os empobrecidos, permaneceu humilde, serviçal, sendo um irmão entre irmãos.
    Doçura e ternura em pessoa, alegria constante, posições corajosas e determinadas, ao mesmo tempo, pregava e anunciava o Evangelho com coragem profética e grande sabedoria. Ele carregou sempre no seu grande coração, as alegrias, as esperanças, as tristezas, as angústias e os sofrimentos de sua querida gente (cf. GS 200). Além de travar, sem jamais se cansar, uma luta pela redemocratização, pela liberdade de expressão, pela dignidade da pessoa humana e pelo fim da tortura em nosso querido Brasil.
    Dom Aloísio, ao se tornar Arcebispo de Fortaleza (1973-1995), logo de início afirmou: “A comunidade eclesial não é feudo do bispo, mas ele é o servidor de uma Igreja que se entende a si mesma como sacramento do Reino, isto é, da presença da verdade e do amor infinito de Deus para com cada criatura humana”.4
    Daí ele não compreender como algo natural e normal se conviver com a miséria e o acentuado empobrecimento do povo, que tinha como conseqüência o êxodo, o flagelo e a morte de muitos irmãos, levantando sua voz de profeta para dizer que não era vontade de Deus a realidade aqui encontrada e, ao mesmo tempo, usou de todos os meios, com uma enorme vontade de transformar essa mesma realidade, marcando profundamente a história do nosso Ceará.
    “Em pleno regime de exceção, a sociedade cearense logo sentiu os efeitos dessa guinada. As camadas desfavorecidas ou marginalizadas, os sem-terra, os sem-teto, os presos políticos, os presidiários comuns, os trabalhadores em greve – ganharam aliado de peso”.5
    Dom Aloísio foi o grande teólogo que sabia compreender a realidade na sua conjuntura e, com suas posições bem claras e definidas, nas análises e nas conclusões teológicas pastorais, passando para o povo um clima que favorecia e gerava uma confiança generalizada. Daí ser o Cardeal que mais se destacou em todos os Conclaves e Sínodos de que participou, gerando para o mundo inteiro e, especialmente para a imprensa, uma grande expectativa. Sua palavra corajosa e profética era acolhida por todos como uma boa notícia.
    “[…] sua voz, naturalmente doce, alternava-se quando era preciso confrontar os vendilhões da justiça, quando todos os jardins da democracia corriam o risco de ser alvo de bombas atiradas pelos olhares fixos da repressão. Sua voz ecoou pelos corredores das prisões […]”.6
    Quando ele se tornou bispo emérito de Aparecida, veio a pergunta: O que o senhor vai fazer? Respondeu: “Sou um simples frade menor e vou fazer o que o meu provincial mandar, porque a obediência me torna livre”.
    Também nunca esquecemos sua palavra lúcida e segura, advertindo “oportuna e inoportunamente” (2Tm 4, 2), bem como sua voz mansa e corajosa em denunciar as injustiças e, sobretudo, sua ternura franciscana, nos leva a afirmar que Dom Aloísio, verdadeiramente, mora em nossos corações.
    Peçamos então a Deus, que na sua infinita e inesgotável bondade, chamou Dom Helder e Dom Aloísio à missão de profetizar, que sempre os tenhamos como referência, iluminando-nos e fazendo sempre mais compreender a indispensável força de sua graça, num desejo de nos tornar capacitados a fermentar este mundo em que vivemos na sua realidade cultural, econômico e social, que tanto desafia a humanidade.
    _______________________
    1 Câmara, Dom Helder. Em tuas mãos, Senhor! Paulinas. São Paulo, 1986, p. 11.
    2 Ibidem. Dom Helder: o artesão da paz. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2009, p. 88.
    3 Saraiva, Geovane (padre). A ternura de um pastor: Cardeal Lorscheider. Fortaleza: Editora Celigráfica, 2009, p. 35.
    4 Tursi, Carlo; Frencken, Geraldo (organizadores). Mantenham as lâmpadas acesas: revisitando o caminho, recriando a caminhada. Fortaleza: Edições UFC, 2008, p. 95.
    5 Saraiva, Geovane (padre). A ternura de um pastor: Cardeal Lorscheider. Fortaleza: Editora Celigráfica, 2009, p. 22
    6 Ibidem, p. 23

    *Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, articulista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal – Pároco de Santo Afonso – geovanesaraiva@gmail.com

    Autor dos livros:
    “O peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores” (centenário de Dom Helder Câmara);
    “A Ternura de um Pastor” – 2ª Edição (homenagem ao Cardeal Lorscheider);
    “A Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso);
    «Dom Helder: sonhos e utopias» (o pastor dos empobrecidos);
    «25 Anos sobre Águas Sagradas (coletânea de artigos e fotos).

  4. pe. geovane saraiva

    Dom Helder, fascínio no ministério sacerdotal
    Padre Geovane Saraiva*
    “O justo medita a sabedoria e sua palavra ensina a justiça, pois traz no coração a lei de seu Deus” (Sl 36, 30). Dom Helder Câmara, durante sua vida e seu ministério sacerdotal (1931-1999), alimentou-se e nutriu-se do pão do céu, do pão dos anjos, o qual compreendeu em profundidade, já na frase em latim no santinho de ordenação: “Angelorum esca nutrivisti populorum Tuum”. Na serenidade do amor que Deus lhe reservara por toda eternidade, cita também São Boaventura, o místico de palavras tranquilizadoras e motivadoras: “Te semper ambiat, ad te tendat, ad te perveniat, te meditetur, te loquatur…”, sem esquecer aquela que iria marcar sua maravilhosa caminhada sacerdotal: “Mãe Santíssima, abençoe o meu sacerdócio!”.
    A partir de 1931, o projeto e o grande sonho do Pai, que é o da vida fraterna e solidária, tornou-se um obstinado desiderato perseguido pelo pastor dos empobrecidos, no qual todas as pessoas do mundo possam viver a vida de filhos de Deus e irmãos uns dos outros, sentando-se na mesma mesa e alimentados do mesmo pão. Dom Helder encarnou em sua própria vida esse projeto de amor, na total e absoluta disponibilidade, unindo-se ao Filho de Deus, pelos laços mais fortes, os laços da caridade e da comunhão, que foram traduzidos na sua vida de compromisso, no sentido de que na mesa todos pudessem se sentar e em volta da mesma, partilhar o mesmo alimento, ensinando-nos que a vida, “bem certinha”, dos fariseus e doutores da lei, excluía os convidados do banquete: pobre, deserdados e pecadores, estando assim, bem distante do projeto do Pai.
    Uma canção, por ocasião do centenário de nascimento de Dom Helder Câmara (1909-2009), falava assim sobre o querido artesão da paz: “o dom da paz, tu és muito mais, és um dom do céu!”. Que bela e maravilhosa afirmação! Ele foi uma obra preciosa, criada por Deus e marcada com o selo de sua graça, presente no coração do povo, com a missão de transformar vidas, consciências e de semear a bondade por toda parte.
    Suas ideias e todo seu trabalho e realizações, concretizado em toda sua plenitude na vida de oração, contemplação e na sua ação pastoral, totalmente encarda na vida dos seus semelhantes, especialmente nos empobrecidos, enche-nos de esperança e nos leva crer que Dom Helder se imortalizará, jamais morrerá.
    O teólogo, Padre José Comblin, com a grande sabedoria de que lhe foi peculiar, quis imprimir na nossa mente e no nosso coração a imortalidade de Dom Helder, ao afirmar: “Eu sou daqueles que tem a convicção de que os escritos de Dom Helder ainda serão fonte de inspiração na América Latina, daqui a mil anos. Ele lançou sementes destinadas a produzir uma messe abundante nesta época do cristianismo que está começando agora. Suas sucessivas conversões, sinalizando de certa maneira, a futura trajetória da Igreja neste momento da história da humanidade”. Na caminhada do povo de Deus tivemos figuras exemplares, que marcaram em profundidade a história, as quais foram geniais, e por isso mesmo, exerceram uma decisiva influência sobre a nossa civilização cristã.
    Gostaria de me deter um pouco sobre Martinho Lutero, que viveu entre 1483-1546. Ele foi uma dessas pessoas, que durante alguns séculos significou para a grande maioria dos católicos um rebelde, um herege, o herege por excelência, aquele que provocou, na Igreja, o cisma do Ocidente e levou, com suas heresias, muitas almas à perdição. Mas para os protestantes, pelo contrário, ele foi um “segundo Paulo”, que redescobriu o Evangelho de Nosso senhor Jesus Cristo, tirando-o de baixo da mesa e colocando-o em um lugar de destaque, em lugar bem alto e elevado.
    Os protestantes acentuam a profunda religiosidade do reformador. Em 1970, chegou-se a dizer que “Lutero era mais católico do que se imaginavam…”. Estava longe dele a ideia de uma separação da Igreja. Na luta em favor do Evangelho, não só contribuiu substancialmente para a purificação da Igreja Católica, mas também para o aprofundamento das questões básicas, as da Sagrada Escritura, da fé, da consciência e da existência cristã.
    Depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), num desejo de encontrar a unidade, o bispo católico de Copenhagen (Dinamarca), Hans L. Martensen, em uma Conferência sobre “Lutero e Ecumenismo hoje”, declarou também que os “católicos reconhecem hoje que Lutero, como poucos outros, foi um teólogo genial e de grande influência na história”.
    Dom Helder trabalhou incansavelmente pela unidade e foi considerado um “santo rebelde”, ao mesmo tempo ensinou que a pessoa humana é sagrada, porque ela é imagem e semelhança de Deus. O sonho carregado ao longo da vida e acalentado no seu coração foi o de colocar a criatura humana em um lugar de destaque, também num lugar bem elevado. Marcou profundamente uma época e nos deixou um grande legado e lição: a lição de que o deserto da nossa vida tem que ser fertilizado pela Palavra de Deus e que a vida está acima de tudo, que ela é mais forte do que tudo, mais forte do que a morte.
    Quando no Brasil, em 1964, procuravam-se navegar nas águas e nas tempestades do regime militar, foi aí que entrou Dom Helder Câmara, o grande irmão e amigo, ensinando-nos a dizer não ao governo que se instalava, ensinando com grande sabedoria, a navegar nas águas da vida, da esperança e da liberdade – É o deserto que se torna santo, abençoado e sagrado! É essa a imagem do homem de Deus, do dom da paz, tu és muito mais, um dom do céu! Guardemos a imagem do homem de Deus e patrimônio da humanidade, que jamais morrerá, conforme seu desejo: “A imagem que gostaria que ficasse de mim é a imagem de um irmão”.

    *Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, articulista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal – Pároco de Santo Afonso – geovanesaraiva@gmail.com

    Autor dos livros:
    “O peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores” (centenário de Dom Helder Câmara);
    “A Ternura de um Pastor” – 2ª Edição (homenagem ao Cardeal Lorscheider);
    “A Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso);
    «Dom Helder: sonhos e utopias» (o pastor dos empobrecidos);
    «25 Anos sobre Águas Sagradas (coletânea de artigos e fotos).

  5. pe. geovane saraiva

    A defesa da vida: maior e melhor herança

    Padre Geovane Saraiva*
    O Papa Francisco, na sua sensibilidade e no seu não indiferentismo, disse com todas as letras: «Não é possível que um idoso que morre de frio em situação de rua não seja notícia, enquanto o é a queda de dois pontos na Bolsa». (Evangelii Gaudium). Daí a Rerum Novarum de Leão XIII deixar claro: “Contra todo tipo de mal que ameaça a criatura humana, devemos lutar”. O trabalho é a atividade normal do homem e da mulher neste mundo no qual estamos inseridos, com o desejo de alcançar determinado fim. Realizada dentro do espírito do Evangelho, cabe ao cristão transformar o mundo e sua realidade, eliminando as contradições e injustiças através do trabalho, com a certeza de que sempre será recompensada por Deus.
    Muitas vezes, cristãos se escandalizam, sentem-se até injustiçados quando pobres e pecadores merecem atenção e preferência da Igreja, assemelhando-se ao comportamento dos mestres da lei e dos fariseus. Mas o cristão, ao cumprir a sua missão, com corajosa e profética ação evangelizadora, animado pela fé, esperança e caridade, sonha com uma nova realidade, isto é, o mundo transformado e fermentado.
    O Papa Leão XIII desejou ardentemente uma mudança nos costumes e na mentalidade, sobre as condições de vida vividas pelos operários no final do século XIX. Preparou à altura das exigências do seu tempo um documento, que de fato pudesse dar uma resposta ao clamor de um mundo industrializado, tão marcado pelo sofrimento e pela escravidão. É o movimento social que se iniciou na Igreja de uma forma mais consistente e organizada a partir de Leão XIII, com a Encíclica Rerum Novarum, de 1891.
    Foi o dia feliz de 15 de maio de 1891, com o lançamento desse maravilhoso Documento, considerado como o ponto de partida da Doutrina Social da Igreja nos tempos modernos, significando um desejo e uma sede de inovações – “das coisas novas”. Tratou a Encíclica Rerum Novarum das questões sociais, levantadas por ocasião da Revolução Industrial. O Papa apoiou com veemência o direito dos trabalhadores de se organizarem em sindicatos. Ao mesmo tempo, rejeitou o Socialismo e defendeu o direito de propriedade.
    Podemos afirmar que foi uma verdadeira luz a iluminar as trevas, a escuridão do mundo operário, indo contra o maior mal que ameaçava a criatura humana naquela época. Com tão bem diz o Profeta Isaías: “Para o povo que vivia nas trevas uma luz brilhou” (Is 9,1). Foi uma posição firme e segura da Igreja, num momento difícil e crítico, orientando gerações e gerações. O Papa disse, através da Encíclica Rerum Novarum, que os homens de todas as classes são iguais, porque são filhos do mesmo Deus e Pai.
    Dirigiu-se aos afortunados e aos patrões, no sentido de não tratarem os operários como escravos, ao contrário, respeitá-los e valorizá-los, vendo neles a dignidade de filhos de Deus. Nasceu deste modo, uma nova mentalidade, uma nova compreensão do mundo, a partir da obra de Leão XIII, colocando a pessoa humana no seu devido lugar, no centro da história, ao dizer logo no início: “Por toda parte, os espíritos estão apreensivos e numa ansiedade expectante, o que por si só basta para mostrar quantos e quão graves interesses estão em jogo”.
    O Papa propõe uma nova ordem econômica, com o devido respeito para quem trabalha. “Não pode haver capital sem trabalho nem trabalho sem capital”. Os pobres são convidados a se levantarem e a saírem da pobreza e da miséria em que se encontram. Eles são chamados a sonhar com novas condições de vida e com uma nova realidade.
    A Rerum Novarum foi, com certeza, um instrumento de Deus. A Igreja deu o exemplo, descendo do seu pedestal e estando presente nas fábricas, sendo a voz dos sofredores e indefesos trabalhadores, – eis a grande novidade! Entendeu a Igreja que era preciso fazer alguma coisa, porque os operários estavam entregues nas mãos dos patrões desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada.
    Foi um grito bem alto, um eco que entrou bem no âmago, marcando e impressionando profundamente o mundo cristão, incentivando o interesse dos governantes pelas classes dos trabalhadores, dando-lhes forças e animando a todos num só objetivo: o dos direitos individuais transformados em benefícios e interesses coletivos.
    Agradecemos ao nosso bom Deus o dom maravilhoso da vida de Leão XIII, o Papa dos operários, que depois do seu segundo centenário de nascimento (1810-2010), tem muito a nos ensinar: “Contra todo tipo de mal que ameaça a criatura humana, devemos lutar”. Que o espírito deste lúcido homem de Deus, hoje vivamente presente na Igreja, através do profetismo do nosso querido Papa Francisco, nos tire da inércia, do indiferentismo, diante das justas reivindicações, também no clamor por justiça, solidariedade e paz, numa palavra, na defesa da vida: o maior bem e herança que podemos acumular.

    *Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, articulista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal – Pároco de Santo Afonso – geovanesaraiva@gmail.com

    Autor dos livros:
    “O peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores” (centenário de Dom Helder Câmara);
    “A Ternura de um Pastor” – 2ª Edição (homenagem ao Cardeal Lorscheider);
    “A Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso);
    «Dom Helder: sonhos e utopias» (o pastor dos empobrecidos);
    «25 Anos sobre Águas Sagradas (coletânea de artigos e fotos).

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